O que é o ComCam?

O Telescópio Gigante Magalhães (GMT, Giant Magellan Telescope) deverá alcançar sua primeira luz no início da década de 2030. Antes do início das operações científicas, todas as funções técnicas serão rigorosamente testadas e ajustadas, assegurando apontamento, rastreamento e foco de alta precisão.

A Câmera de Comissionamento (ComCam, Commissioning Camera) será responsável por registrar imagens limitadas pelo seeing, etapa essencial para concluir o processo de comissionamento do telescópio. Em seguida, será utilizada para validar o desempenho do sistema de Óptica Adaptativa de Camada de Solo (GLAO, Ground Layer Adaptive Optics), parte integrante da infraestrutura de óptica adaptativa do GMT.

Além de seu papel no comissionamento, a ComCam também funcionará como instrumento científico versátil, capaz de realizar imagens profundas em bandas larga e estreita. O sistema contará com escala de 0,06 segundos de arco por pixel e qualidade de imagem melhor que 0,10 segundos de arco em um campo de visão de 6×6 minutos de arco, ideal para avaliar o desempenho do GLAO.

A ComCam produzirá imagens em diferentes bandas e poderá, futuramente, ser equipada com um etalon, permitindo espectroscopia de campo amplo e sem fenda, além de um módulo de polarimetria para observações com alta precisão na medição do estado de polarização da luz.

 

Funcionalidades principais

  • Câmera de imagem visível, totalmente refrativa (0,36 – 0,95 µm)
  • Escala de placa: 0,06 arcsec/pixel
  • Distorsão < 0,6 %
  • Qualidade da imagem: ~0,1 arcsec FWHM
  • Campo de Visão: 6 arcmin de diâmetro ou 36 arcmin²
  • Modos de operação: natural seeing e GLAO
  • Funções de divulgação científica e oportunidades de pesquisa, permitindo imagens em banda estreita e larga, medições fotométricas no visível e, futuramente, polarimetria

 

Participação do Brasil

A ComCam, cujo desenvolvimento é liderado pelos Observatórios Carnegie (Pasadena, Califórnia), tem como principal objetivo avaliar a qualidade da visão natural e o desempenho da Óptica Adaptativa GLAO do GMT. Além disso, a ComCam busca fornecer imagens para Relações Públicas, as quais serão de grande valor para as instituições parceiras, a Fundação Nacional de Ciências (NSF, National Science Foundation), e para conquistar o apoio do público em geral.

Após a visita, em outubro de 2018, do grupo de pesquisa em instrumentação astronômica aplicada ao GMT do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), representado pelo GMTBrO, aos Observatórios Carnegie, o investigador principal (PI, Principal Investigator) e o gerente de projeto do instrumento convidaram a equipe brasileira a colaborar nas áreas de engenharia de sistemas, engenharia mecânica e desenvolvimento de software.

Os resultados dos esforços do GMTBrO foram apresentados durante a Revisão de Projeto Conceitual (CoDR, Conceptual Design Review), realizada nos Observatórios Carnegie em Pasadena, entre os dias 23 e 24 de setembro de 2019. O projeto ComCam recebeu uma avaliação altamente positiva do comitê, com apenas algumas sugestões menores para a próxima fase do projeto. Destaca-se que a entrega da arquitetura de software ao CoDR da ComCam foi a primeira contribuição de um pacote de trabalho do NSEE/IMT a um dos instrumentos do GMT.

 

Participação do Instituto Steiner

Dando continuidade nas atividades incialmente realizadas pelo GMTBrO, o Instituto Steiner iniciou uma parceria com os Observatórios Carnegie no ano de 2024 para contribuir para a execução da fase do Projeto Preliminar (PD) da ComCam, nas áreas de i) engenharia mecânica, ii) de software e iii) elétrica.

Maiores informações sobre a equipe: ComCam Team.

Referências: Carnegie ComCam e GMT IAG ComCam.

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